terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Trechos de Joaquim Lagoeiro




"O drama das mulheres dos emigrantes,
como já Rosalia de Castro lhes chamava.
Apertados da necessidade, que a terra é mãe, sem pão cabonde, cedem os homens ao aceno da ambição e ao destino que trazem no sangue.
Assim se argamassam Brasis, Áfricas, o mundo Novo.
Cedem, que os empurram as companheiras.
Elas, ficam.Na terra, de antanho o seu lar, para que não morra sem uma sede de água e maninha. E esperam.
Eles hão-de voltar, um dia, para o resgate e a vida será então...
Voltam, tarde quase sempre, demasiado tarde.
Os que voltam!
Às vezes, quando perdida a companheira por algum desvairo, se não reconhecível apenas através dos olhos da alma.
Mas regressam para o fim, para esperarem ainda - a morte.
Entretanto, elas viveram.
A seu modo, resignadas umas, em desespero outras, vítimas todas e sempre...."

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